
Amados irmãos, Graça e paz de Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador.
Alguns de vocês me conhecem praticamente desde a minha conversão, vocês teem me acompanhado nesta jornada em que caminhamos juntos por tantos anos, muitos de vocês foram essenciais na minha formação como discípulo do Mestre, imitando a Cristo e sendo exemplo para mim.
Muitos de vocês foram pacientes comigo por muitas vezes quando na minha adolescência tardia fui rebelde, radical, contestador de uma forma imatura, só posso reconhecer isto, lhes agradecer a paciência e repetir o exemplo com outros, muitos de vocês me ajudaram e foram verdadeiros, pais, mães, irmãos e irmãs para mim, muitas vezes mais que minha própria família natural.
As instituições eclesiásticas, leia-se denominações e ministérios, de que fiz parte tambem fizeram boas coisas para comigo, sobre este aspecto não tenho o direito de lhes tecer críticas.
Mas, como alguns de vocês que me conhecem há um bom tempo sabem, continuo sendo um homem questionador, contestador, agora após tantos anos de uma forma mais madura, menos radical, mas continuo querendo saber os porquês e a agir de maneira consciente.
Há cerca de três anos, mais precisamente na primeira semana de Outubro de 2006, num domingo à tarde eu assistia à um documentário sobre a história da Europa, e como é impossível tratar deste assunto sem mencionar o cristianismo histórico, logo começaram a mostrar as catedrais, me lembro bem de ver Wittenberg, Westminster e Notre Dame quando tive um insight e me perguntei:
_”O que isto tem a ver com Jesus Cristo ?”
A partir desta questão, comecei a buscar na história dos primórdios do Caminho, quando, como, onde e porquê nossos irmãos do passado começaram a se reunir em templos, escrevi um email que enviei para alguns de vocês e tambem criei tópicos em comunidades de discussão cristãs, foi quando criei um blog e escrevi o primeiro artigo Quem_precisa_de_Templos ? logo após o qual também escrevi Basta_a_igreja_mudar_do_templo_pra_casa_? , Minhas inquietações e questionamentos continuaram a crescer e eu passei a estudar sozinho sobre História da Igreja, Patrística, Hermenêutica, Eclesiologia, etc afim de tentar entender tudo o que estava acontececendo à minha volta, li e estudei alguns livros apócrifos, apenas pra chegar a conclusão de que continuam sendo apócrifos, ao menos os que li como o Evangelho de Pedro, extremamente Gnóstico, Carta de Paulo à Igreja de Laodicéia, uma fraude visto que Paulo nunca esteve lá como ele afirma em Colossenses e alguns outros.
Porém, apesar de até então ser liturgicamente liberal e não fazer uma interpretação literalista e fundamentalista da Biblia, comecei a me informar sobre outras questões, questões que nunca são citadas nas igrejas e talvez raramente nos seminários, nessa minha busca encontrei bastante material, artigos, livros, teses de mestrado, doutorado, testemunhos, etc
Os que mais me chamaram a atenção foram o testemunho de um policial civil de Porto Alegre, membro de uma igreja Batista e líder de ministério que ao ser transferido para uma pequena cidade do interior, da qual não me lembro do nome no momento, experimentou tambem uma transformação na maneira de se reunir como igreja, de maneira simples nas casas e mudou totalmente seu ponto de vista sobre igreja.
Outro foi uma tese de Doutorado em teologia sobre a igreja primitiva, onde o autor comentava sobre as Insulas, pequenos apartamentos na Roma antiga de peça única onde moravam até oito pessoas entre as camadas mais pobres do povo, e sobre as casas dos mais afortunados como a descoberta em Dura Europus, na Síria no séc.IV, onde uma parede da sala foi retirada para acomodar mais pessoas, chegando a comportar cerca de 70.
Mas então um livro chegou a mim, Reconsiderando_o_Odre , de Frank Viola onde o autor demonstra como era de fato a liturgia e a prática da igreja primitiva, no meio da leitura descobri outro livro do mesmo autor em co-autoria com George Barna conhecido e respeitado pequisador cristão norte-americano, Cristianismo_Pagão_? , neste livro os autores mostram como a maior parte de nossas práticas eclesiais tem origem no paganismo e judaísmo e não faziam parte das práticas da igreja primitiva. Estes livros vieram a confirmar e embasar a forma como eu estava pensando
Escrevi um novo texto sobre este livro, Cristianismo_Pagão,_uma_farpa_em_nossas_mentes_! , não preciso dizer que causou uma grande polêmica, ao meu ver uma boa polêmica, pouco tempo depois li tambem Quem_é_tua_cobertura_? do mesmo autor.
Em meio a tudo isto, pessoalmente e no âmbito evangélico eu estava passando por mudanças profundas, saindo de uma igreja justamente por observar certas atitudes e discordar da liderança em questões relacionadas ao que descrevi acima, começando a frequentar outra apenas por convicção de não sair fazendo barulho e procurando briga, mas em amor e espírito de servo, o que mantenho até hoje, prestes a ir para um seminário, o que chegou a ser anunciado de púlpito pelo pastor da minha igreja mãe em São Paulo e que acabei não indo na última hora apenas por convicção pessoal, etc.
Também passei por períodos conturbados em minha vida pessoal, por dificuldades de trabalho e financeiras. Mas assim como o que me trouxe para Florianópolis e que me mantém até hoje, convicção, consegui com a graça de Jesus Cristo, chegar onde me encontro e me manter com a mesma convicção que me faz agora me despedir de vocês, ou melhor, não de vocês meus irmãos em Cristo, mas de todas as instituições cristãs de que de algum modo fiz parte.
Através desta carta aberta me desligo agora de forma oficial de toda instituição humana que se autodenomina igreja,
Não da Igreja edificada sobre a Rocha, Jesus Cristo,
Não mais faço parte do grupo social conhecido como evangélico, creio na mensagem das boas noticias. Não sou Quadrangular, creio que Jesus salva, cura, batiza com o Espírito Santo e voltará como Rei
Não sou do Refúgio do Rock, o Senhor é um Refúgio para aqueles que o temem, um alto refúgio no tempo da tribulação, inclusive para os rockeiros !
Não sou White Metal, gosto de heavy metal de todos os tons e matizes e o uso para exaltar a Cristo
Não sou do Projeto Ágape/242, entendo a reunião da igreja como a festa ágape descrita em Atos 2.42,
Não sou da Igreja Batista Vida Nova, fui batizado com Cristo em sua morte e recebi a nova vida em Jesus, Não sou da Calvary Chapel, me vejo aos pés de Cristo na cruz do calvário Não sou Surfista de Cristo, faço tudo para a Glória de Deus, até surfar,
Tentei ser Crente, mas meu Cristo é diferente,
Não sou Protestante, mas faço isso como um protesto, como Jesus ao expulsar os cambistas do templo
Não sou Cristão, tento ser um pequeno cristo, imitando-o na minha vida diária
Não sou Nazareno, creio no Jesus de Nazaré da história
Não sou do Caminho, sigo O Caminho, A Verdade e A Vida
Não sou Irmão, sou Seu irmão em Jesus Cristo
Não chamo a ninguém de Pai, um só é o meu pai, Deus Não chamo a ninguém de mestre, um só é meu mestre, Jesus
Não chamo a ninguém de guia, um só me guia, Espírito Santo
Não tenho Pastor, sou ovelha do único Pastor, Cristo
Não tenho necessidade de que ninguém me ensine, o Espírito Santo me ensina
Não tenho necessidade de mediadores entre eu e Deus, um só é o mediador Jesus Cristo Homem !
Não sou emergente ou imergente,
Não sou missional ou relacional,
Não sou reformado ou pentecostal,
Não sou calvinista ou arminiano,
Não sou adepto do teísmo aberto nem estou fechado com a ortodoxolatria,
Minha luta não é contra carne ou sangue… No entanto assim tantos outros irmãos do passado como John Wycliff, Jonh Huss, Martin Luther, Jacques Ellul, Liev Tolstói e principalmente Sören Kierkegaard, não reconheço nenhuma instituição e não reconheço nenhuma autoridade que não seja o próprio Deus, não reconheço intermediário entre o homem e Deus, entre o Criador e sua criatura, que não seja Aquele que É antes de todas as coisas, o EU SOU O QUE SOU, Deus de Deus, O Filho do Homem, o Cordeiro imolado antes da criação !
Não que um Judeu marginal, o homem de Nazareth, Yeshua Bar’ Yousef , filho de José e Maria, um filho de carpinteiro, um técnico, um servente de pedreiro, da periferia do subúrbio de um província sem importância e distante do Império Romano, nascido há cerca de dois mil anos e pregador de um Evangelho maltrapilho, fosse elevado à categoria de um deus !
Mas que o Deus Criador, decidiu por sua própria vontade e usando de sua Soberania, fazer-se homem, nascido de mulher, a Palavra, o Verbo Criador encarnado no tempo e no espaço na pessoa de Jesus Cristo, O Filho do Homem, o homem de Nazareth, Yeshua Bar’ Yousef, filho de José e Maria, um filho de carpinteiro, um servente de pedreiro, um Judeu marginal pregador de um Evangelho maltrapilho, nascido há cerca de dois mil anos, afim de mostar seu amor pelo ser que criou e por eles morrer, e pagar preço de sua dívida eterna.
Aquele que é Homem e é Deus, logo não há intermediário entre o ser humano e Deus que não seja Ele próprio, Aquele que possui a natureza humana e a natureza divina, logo entre a raça humana e o Criador não há intermediação.
E se não há no conteúdo não deve haver no modo, Se não há na essência, tambem não deve haver na forma, Se não há como direito, não deve haver de fato !
Logo rejeito todos os que se auto-intitulam, padres, pastores, bispos, presbíteros, apóstolos, profetas, etc e principalmente a forma, o modo como exercem suas funções baseados em uma cadeia de comando humana, numa hierarquia piramidal terrena.
Não tenho nada pessoal contra tais pessoas, muitos dos que fazem parte destas estruturas são amigos meus, boas pessoas, discípulos sinceros, com boas intenções e um coração aberto, no entanto o fato de serem bem intencionados, não muda o fato de que é assim que as coisas são, é assim que a máquina funciona.
Reconheço que muitos deles possuem o dom de pastoreio, outros de ensino, outros de organização entre tantos outros dons distribuídos da mesma forma que a todos os membros do corpo de Cristo gratuitamente pelo Espírito Santo como lhe agrada, mas isto não lhes dá o direito de exercer autoridade sobre ninguem ! nem de usar títulos de nobreza, nem mesmo de pregar usando de técnicas de oratória e homilética como única voz autorizada usurpando o direito exclusivo de Jesus Cristo, como cabeça do corpo.
Corpo este que se encontra deformado como uma “boca gigantesca e milhões de pequenas orelhas”, corpo que está dividido como na igreja em Corinto nos dias de Paulo, onde um dizia “Eu Sou de Paulo”, outros, “Eu sou de Apolo” e outros “Eu sou de Pedro”; Nos dizeres de um grande amigo meu, “Se a Igreja é o corpo de Cristo, Jesus é o cara mais tatuado que existe”, sobram nomes, logotipos, placas e marcas e falta o amor uns as outros e o amor ao próximo que o Mestre disse serem a marca do verdadeiro discípulo.
Quanto ao modo e ao como, creio no que está descrito abaixo:
I Carta aos Corintíos, Capítulo 14 versículo 26 a 33
“Portanto, que diremos, irmãos? Quando vocês se reúnem como igreja, cada um de vocês tem um salmo, OUTRO uma palavra de ensino, OUTRO uma revelação, OUTRO uma palavra em uma língua e ainda OUTRO uma interpretação.Tudo seja feito para a edificação da igreja.
Se, porém, alguém falar em língua, devem falar dois, ou quando muito três, e alguém deve interpretar. Se não houver quem interprete, fique calado na igreja, falando consigo mesmo e com Deus.
Tratando-se de profetas, falem dois ou três, e os outros julguem cuidadosamente o que foi dito.Se vier uma revelação a alguém que está sentado, cale-se o primeiro.
Pois vocês todos podem trazer a mensagem de Deus, cada um por sua vez, de forma que todos sejam instruídos e encorajados.Pois Deus não é Deus de desordem, mas de paz.”
Quanto ao conteúdo e a essência, creio no que está descrito em:
Evangelho de Mateus, capítulo 23 , versículo 10
“A ninguém na terra chamais líder, um só é vosso líder, o Cristo”
Agora que venham as pedras… ”Eis que vejo o Filho do homem em pé à destra de Deus”
“As coisas se tornaram demasiadamente fáceis, é hora de torná-las difíceis novamente”
A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo seja com todos vós. O Espírito e a Noiva dizem Vem !
Ricardo Vitorino do Nascimento
Florianópolis, 30 de Setembro de 2009
2 Comentários
Julho 7, 2008 em 4:15 pm
Gostaria de saber algo mais sobre o Sr. Ludwig Von Mises, autor dos comentários sobre o que disse Fritjof Capra.
Grato,
Pedro Rocha
Julho 9, 2008 em 5:56 pm
Olá Pedro Rocha
Mises foi um dos maiores expoentes da escola austríaca de economia, defendendo posições extremamente liberias tendo como principal tema o indivíduo acima do estado.